'O público conservador não agüentou e abandonou a sessão do filme “Do Começo Ao Fim”.
Depois de conferir a exibição para a imprensa em São Paulo, decidi assistir “Do Começo Ao Fim” novamente para ouvir a opinião do público e também apoiar a bilheteria do filme corajosamente dirigido por Aluizio Abranches.
Essa foi a única vez que fui ao cinema e vi não apenas 1 ou 2 pessoas irem embora durante a sessão. Mas cerca de 20 pessoas não agüentaram assistir o filme do começo ao fim.
Casais heterossexuais de diversas idades e grupos apenas de mulheres pareciam pudicos demais ao presenciar cenas íntimas de dois homens. A cada vez que os atores apareciam nus ou trocavam caricias, alguém levantava e ia embora da sala.
A reação era tão patética que os que ficavam na sala riam da situação, ao ver mais pessoas deixando a sessão. Alguns diziam “que absurdo”, “hipócritas”.
E vendo tudo aquilo, eu fiquei indignado como o público brasileiro, de uma classe nobre, na maior cidade do país, pode ser tão preconceituoso.
Talvez para as mulheres que abandonaram a sessão pouco mais de 40 minutos apos o início do filme, deve ser inaceitável ver dois homens bonitos e másculos se beijando. É mais confortável manter os gays como seus “amigos cabeleireiros”, inofensivos e dentro dos estereótipos que não atraiam (ou frustrem) seus desejos.
Para os casais heterossexuais, se foi o namorado/marido que pediu pra sair, talvez ele tenha ficado com medo de ver que qualquer homem pode ser homossexual, inclusive o médico que ele tanto confia e que está acima de qualquer suspeita. De repente, a ausência do “viadinho” o assustou e pela primeira vez se sentiu frágil diante da forte imagem de um homossexual igualzinho aquele melhor amigo que sempre o acompanha nos jogos de futebol e ele jamais diria que é gay.
É patético.
Tirar o homossexual dos programas humorísticos ou das novelas e retratá-lo no dia-a-dia, longe dos personagens caricatos e como qualquer outra pessoa, choca o público. Parece confortável deixar os gays no papel de coadjuvante, com características facilmente reconhecíveis e inofensivos. É simples para o público imaginar que os homossexuais estão escondidos ou não tem a menor chance de fazer parte do dia-a-dia, pois eles acreditam que são exatamente como as lendas e como os personagens de novelas: drogados, só pensam em sexo, fashion, fúteis e na primeira oportunidade se transformam em heterossexuais e casam com uma gostosona.
Difícil é encarar uma realidade que durante tantos anos fizeram questão de ignorar. Difícil imaginar que o irmão, o filho, o primo, o melhor amigo e dezenas de pessoas que fazem parte do dia-a-dia, possam ser homossexuais. E o mais difícil é perceber que todo o preconceito é contra alguém igualzinho a eles.
Os reais motivos que levaram as pessoas a deixarem a sessão e não esperar o fim, não dá pra saber mas dá pra imaginar. “Do Começo Ao Fim”, para essas pessoas, pode ser o pior filme do mundo, mas por alguns minutos ofereceu a chance de cada um deles refletir sobre um sentimento de homofobia que talvez eles nunca imaginaram ter, por nunca terem conhecido um homossexual de verdade.'
'O presidente do Governo Regional da Madeira considera que chamar casamento a uma união homossexual «é o mesmo que lhe chamar cozido à portuguesa ou bacalhau com todos». «Defendo em absoluto a livre opção sexual de cada pessoa, em termos de não poder ser passível de qualquer discriminação. Defendo a adequada tutela jurídica para as uniões de facto, independentemente de se tratar ou não de uma relação homossexual», disse, no «Palavras Assinadas», do TVI24. No entanto, para Alberto João Jardim, «chamar casamento a uma coisa que naturalmente o não é, só porque deu na cabeça de alguns, é uma provocação cuja irracionalidade obriga a contestá-la em nome da inteligência». E Jardim faz mesmo um desafio ao Governo de José Sócrates: «Se a maioria parlamentar, dita de pseudo esquerda, está assim tão convencida que esse é o querer dos portugueses, então por que não recorre ao referendo?»' (Fonte: Diário IOL )
Primeiro não é opção, é orientação... Segundo como se pode definir o que natural ou não? É a maioria que manda? Terceiro, sabes, ó Jardim, porque é que não se recorre ao referendo? Porque a população não tem que dizer que aceita ou não. Não têm de se meter no que é um direito das pessoas! Direitos não se devem referendar! Quarto, e como já ouvi dizer aqui na blogaysfera, porque não fazemos um referendo para ver quem concorda em mandar te embora?? Não gostas, pois não?! :D
Governa mas é a Madeira em paz e não te metas nos assuntos do Governo, que para isso está a Leitinho (que também não faz falta...).
Acho que é isto que se passa entre mim e a televisão! Ou sou eu que não entendo que os programas são muito bons ou então é a televisão que já não passa nada de jeito. Qual delas acham que é?