02/09/09

Amor

Como estou numa de pôr poemas que exprimam o que sinto, ou mais ou menos, vai aqui este de Luís de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

Este é dedicado à minha madrinha… Que ainda não encontrou a sua alma gémea!
Porque o Amor é o sentimento mais complexo de se explicar, posso até mesmo dizer inexplicável, indefinível!

Também eu quero encontrar a minha alma gémea, desfrutar dos momentos maravilhosos que tivermos… Como deve ser bom sentir Amor por alguém!

Move On! Força, hás – de conseguir!

01/09/09

Crueldade

Cruéis são as pessoas más.
Cruéis são as pessoas interesseiras.
Cruéis são as pessoas que magoam os outros.
Cruéis são as pessoas mesquinhas.
Cruéis são as pessoas que julgam os outros ignorando factos que não lhes agradam dizer.
Cruéis são os humanos que de tanta racionalidade que têm, agem sempre irracionalmente!

Nostalgia

Nostalgia

Nesse país de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que p´las aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi…
Mostrem-me esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o reino de que eu sou infanta!

Ó meu país de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Não sei por onde vim…
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

Florbela Espanca

Este lindo poema descreve o meu estado de espírito. Quero regressar, mas não sou capaz.
Estou demasiado fraco para encontrar o caminho.
Mas encontrá-lo-ei…!

Amigo

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O’Neill

Dedico este poema de Alexandre O’Neill a todos os meus amigos que me têm apoiado nestes tempos difíceis da minha vida!
Porque um amigo “é a solidão derrotada”!
A vossa companhia (mesmo apensa virtual), as nossas conversas, tudo… É tão bom conhecer – vos.
Porque um amigo “é uma grande tarefa, um trabalho sem fim, um espaço útil um tempo fértil”.

Obrigado por tudo!

Poema à mãe

Depois do que escrevi sobre a Mulher Que Me Deu A Vida, lembrei – me de um poema de Eugénio de Andrade que me fez chorar a primeira vez que o li na aula de Português.

Poema à mãe

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

É o meu poema preferido, talvez porque me identifico bastante com ele!
Não tenho palavras para descrever tal sentimento, sempre que leio este lindo poema!
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