01/09/09

Poema à mãe

Depois do que escrevi sobre a Mulher Que Me Deu A Vida, lembrei – me de um poema de Eugénio de Andrade que me fez chorar a primeira vez que o li na aula de Português.

Poema à mãe

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

É o meu poema preferido, talvez porque me identifico bastante com ele!
Não tenho palavras para descrever tal sentimento, sempre que leio este lindo poema!

31/08/09

Mulher Que Me Deu A Vida

Porque tu não consegues dizer “(…) és gay…”?
Porque não consegues falar disso abertamente comigo?
Porque falas da minha homossexualidade quase como se fosse uma doença?
Porquê, mulher? Tu que me deste a Vida, tu que me conheces melhor que ninguém (penso eu!), devias compreender – me, ou pelo menos tentar.
Tu mulher, que deixas – te ser a minha confidente, porque há segredos poderosos e perigosos! Eu cresci, aprendi…, mas tu continuas a ver – me como o teu bebé, como se eu não tivesse crescido, como se eu não soubesse como são as coisas!
Eu cresço, descubro – me, cresço e volto a descobrir um pouco mais de mim. Sou adolescente, mas não significa que sou maluco, que não tenho juízo.
Não sou normal, gosto de viver de noite…
Comparas o “meu hoje” com o “meu ontem”, mas eu mudei… Sou um adolescente, estou a mudar, estou a crescer, estou a aprender nesta escola que é a Vida!
Porque não consegues dizer muito à vontade: “és gay”? Sei que não é fácil aceitares, mas devias perceber – me melhor, tu, mulher que me deu a Vida!
Devias perceber que estou bem comigo, que estou bem com a minha homossexualidade, como já te tive oportunidade de dizer. Sei que também me fecho um pouco, mas…
Tudo o que dizes toca – me no fundo, desiludes – me, magoas – me…, com as tuas palavras mas eu continua a gostar de ti, Mulher Que Me Deu A Vida! Não falo mais abertamente contigo, porque tenho medo do que possas dizer… Tenho medo e, às vezes, não te quero ouvir dizer barbaridades. E quando digo que o são acusas – me de me achar superior por saber trabalhar no computador!
Não é verdade e tu sabes. Sabes que eu adquiro conhecimentos lendo, pesquisando, etc.
Não devias dizer barbaridades sobre o que penso… Tudoo que penso é, quase sempre desprezado, pela vossa opinião que me tentam mostrar que é igual em ambos os casos. Mas não o é! Não é totalmente igual. E porque não posso eu ter as minhas opiniões, ideias e sonhos?
Quase tudo isso é desprezado por vocês! Sou adolescente, com as hormonas aos saltos, mas tenho sonhos, ambições, ideias e opiniões…
Oh, Mulher Que Me Deu A Vida.
Oh, Mãe!

A Lua, minha sábia conselheira

Sob o olhar atento da Lua que repousava junto das estrelas lá no alto, lá bem no alto, eu pensei.
Eu parei para pensar, olhando o chão porque um ser inferior me sinto. Um ser que tem medo dos outros, seus semelhantes!
Parei para pensar em toda a minha vida e como ela tinha mudado. Como eu era tão feliz antes da mentalidade ficar madura e eu não me apercebia das coisas à minha volta.
Parei para pensar como em meses a minha Vida mudou, como se de uma reacção química instantânea se tratasse!
Parei para pensar no que me tornei, no adolescente que era e no homem que havia de ser.
Parei para pensar nas diferenças do “meu ontem” e do “meu hoje” e como evoluí, como cresci…
Parei para pensar no orgulho que sinto em ser o que sou e no gozo que me dá ter orgulho nisso!
Posso então concluir que de um ser inferior não me trato, mas de um ser superior a muitos outros por ter coragem de assumir o que sente aos seus pais e amigos muito próximos. Um ser superior porque sou único, inigualável e diferente!
Sou diferente, sou gay, sou único. Sou eu! Gosto de ser diferente faz – me sentir especial, pena que muitos não compreendam que ser especial é bom. Pena que muitos achem que ser especial é mau, que é para excluir.
Sou diferente, sou especial! Essas pessoas têm medo do que as pessoas especiais podem fazem, pois as pessoas especiais quando se apercebem que o são deixam de andar atrás desses seres inferiores iguais a tantos outros porque está na moda! Deixam de lhes dar atenção, por isso têm medo!
A Lua, a minha sábia conselheira, disse – me que eu era especial, que eu era diferente e que tinha poderes para ultrapassar as más situações. Basta acreditar que somos capazes… Essa Lua disse – me também que não era um ser inferior e relembrou – me que todos somos diferentes!
Essa é a Lua que me ilumina as noites em que as nuvens decidem invadir a Lua que mora lá no alto. Ou quando os meus olhos estão demasiado cegos para ver o brilhar da Lua que no alto lá mora.
Essa Lua… és tu: gabi!

A Noite que não é Noite!

Sob o olhar atento da Lua, caminho de passo apressado como se com muita pressa estivesse! Sinto a música fluir – me no sangue e a ligeira brisa a acariciar – me o corpo. Viajo seguro de mim próprio, mas toda essa segurança se vai quando passo ao pé de alguém! Sinto que não sou gente, sinto que não sou como eles… Se melhor ou pior, não o sei dizer, mas fico desconfortável. Agarro – me ao que posso para me distrair, concentro – me na música e sinto – a fluir no meu sangue, concentro – me na ligeira brisa que o meu corpo acaricia. Já passou.
Chego ao meu destino favorito em noites de Verão sob a abóbada celeste estrelada! Caminho por entre as estrelas lá no alto do Universo, mas a música nunca me deixa e está sempre a fluir no meu sangue. Os ouvidos bombeiam – na para o meu corpo, tal como o coração faz ao sangue. Não corre nenhuma brisa, está calor!
Não gosto de noites sem uma brisa ligeira a acariciar – me o corpo e abanar as minhas roupas como se de bandeiras hasteadas se tratassem.
A abóbada celeste é linda, tento descobrir os mistérios por detrás do seu véu escuro…
Está calor não… Que pena, a lua brilha tão segura lá no alto e as estrelas pequenas e às centenas fazem – lhe companhia…, mas está calor!
Esta noite já não é noite para mim! A brisa não corre.
Vou embora. Desço a rua em direcção ao meu lar acolhedor. A música pára, perco a confiança.
Ao meu lado viaja um casal apaixonado, não gosto de estar assim sozinho sem música!
Concentro – me nos meus passos, sob o passeio cheio de terra… Faz um barulhinho esquisito!
Cheguei por fim ao meu lar acolhedor, mas que calor que está.
Um banho de água fria satisfaz as minhas necessidades de frescura por instantes. Agora aqui estou eu…, mas que calor que está.
Esta noite não é noite para mim!

30/08/09

"O Meu Segredo" - Dia 30

Primeiro a Gabi. Uma amiga com quem se pode contar. Que ajuda, sempre que pode, com as suas palavras sábias.
Depois o Ricky, aquele que me ajudou a descobrir que o Amor é possível mesmo entre homossexuais.
Agora o Senhor Nuno xD. O meu pai desnaturado que, numa manhã, me ensinou mais, do que em vários dias de alguma pesquisa!
Pessoas “diferentes” iguais a mim. Pessoas que me ajudam e, algumas delas, animam sem saber!
É tão bom o tempo passado a falar com eles. Quando acaba… Penso quando será que vou falar com eles novamente!
É tão bom o que sinto ao falar com eles. O sentimento de descoberta das suas vidas, experiências…
Da descoberta…, de tudo!
Não consigo esquecer os dias em que cada um conheci…, foi tão… Mágico?!?! (Lá estou eu a divagar!)
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